RSS

17.11.08

Policiais Civis fazem passeata até o Piratini / CPERGS prepara mobilização em todo o Estado

Os policiais civis gaúchos realizam hoje (17) uma passeata em defesa dos direitos da categoria e em solidariedade aos seus colegas paulistas, em greve desde o dia 16 de setembro. A concentração inicia às 14 horas, no Palácio da Polícia. Dali os policiais seguirão, com carro de som, até o Palácio Piratini. “É uma caminhada pacífica e ordeira. Nossas armas serão apenas verbais. Não aceitaremos provocações e intimidações. O Estatuto dos Servidores Públicos, lei 10.098/94, dá direito de registro de efetividade para a nossa marcha. É o artigo 64 – “São considerados de efetivo exercício os afastamentos do serviço em virtude de (...) participação de assembléias e atividades sindicais (inciso XVI)”. A caminhada é, pois, uma atividade sindical”, afirma o sindicato da categoria (Ugeirm).

Queremos acreditar que nenhum “curso” ou “operação especial” será idealizado ou autorizado pela Chefia de Polícia no dia 17 de novembro. Qualquer notícia nesse sentido será interpretada como uma tentativa de esvaziar nosso movimento – que, aliás, teve saldo excelente nos dias de paralisação. Queremos a participação dos colegas da capital, da região metropolitana e do interior. Vamos lotar a praça”, diz Isaac Ortiz, presidente do sindicato.

Segundo Ortiz, as autoridades competentes, inclusive as de trânsito, serão comunicadas previamente de nossa passeata. “Não somos baderneiros, somos trabalhadores que têm atividade de risco no exercício de suas funções. E essa atividade está cada vez mais arriscada pela falta de pessoal, de condições de trabalho e de salário, bem como segue ignorada no momento de nossa aposentadoria, que o governo se recusa a negociar” destaca o dirigente sindical.

Do RS Urgente




O Comando de Greve do CPERS/Sindicato reuniu-se neste sábado para avaliar a assembléia geral de ontem, e para preparar a mobilização da categoria em todo o Estado. A assembléia decidiu pela greve como forma de pressionar pela retirada do projeto encaminhado na terça-feira passada pelo Governo Yeda que cria um piso estadual. Na avaliação do CPERS, a proposta de piso apresentada pela governadora “é uma tentativa de enganar a sociedade e a categoria de que se trata da mesma lei federal”.

“Essa tentativa não se sustenta, já que o governo está contestando na justiça o piso nacional. De semelhante tem apenas o valor de R$ 950,00 já que a proposta do governo gaúcho é na verdade um teto e não um básico. O projeto, se aprovado, significaria um congelamento de salários, pois sobre ele não seria aplicado aquilo de mais caro que a categoria tem: sua carreira, garantida através do seu esforço para se qualificar e então mudar de nível”, diz o sindicato em nota.

Leia mais no RS Urgente

15.11.08

BM atinge criança de 4 anos na cabeça com uma bala de borracha em protesto da Vila Nazareth

Acabou em pancadaria o protesto de moradores da Vila Nazareth, na zona norte de Porto Alegre, realizado na Avenida Sertório contra a Brigada Militar na tarde de ontem. Portando faixas e cartazes, eles acusavam um soldado da corporação de ter executado com um tiro na nuca o biscateiro Flávio Saldanha da Silva, 27 anos, morto na terça-feira.

Após bloquear a via por 45 minutos no sentido bairro-Centro, os manifestantes foram retirados da via pelo Pelotão de Operações Especiais do 20º Batalhão de Polícia Militar (20º BPM) que usou a força para dispersar os moradores.

– Atirar com balas de borracha contra mulheres com crianças no colo. Como pode isso? – desabafa Rosane Lopes, 25 anos.

O filho de quatro anos da diarista foi atingido na cabeça por uma das balas de borracha e foi levado ao Hospital Cristo Redentor onde acabou medicado. Ele foi uma dos cinco moradores feridos.

– Mesmo com ele no colo, ainda fui chutada – lembra Rosane.

Organizadora do protesto e mulher do biscateiro morto, Lisiane da Silva, 25 anos, também diz ter sido agredida a pontapés. Segundo ela, a idéia era permanecer no local por uma hora e em seguida liberar o transito.

– Não respeitaram nem as senhoras de idade que carregavam faixas pedindo Justiça – reclama Lisiane.

Da Zero Hora

14.11.08

Últimas da Yoda

Governadora do RS propõe novo aumento para secretários
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

Menos de três meses após conseguir um aumento de 143% para o próprio salário e de 89% para os vencimentos dos seus secretários, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), pediu à Assembléia Legislativa a criação de uma gratificação extra de R$ 7.000 para integrantes do primeiro escalão que são funcionários de carreira do Estado. O projeto começou a tramitar na última terça-feira. A medida poderá beneficiar 12 dos 23 secretários. Pela proposta, eles poderão optar por receber o salário que recebiam nas suas repartições de origem mais um adicional por função gratificada de até R$ 6.938 em vez dos R$ 11.564, fixados em agosto. Na prática, a função gratificada deverá criar um grupo de secretários com salário maior do que o da própria governadora (R$ 17.347), já que alguns secretários tinham salários de até R$ 15 mil em órgãos em que são servidores efetivos, como o Ministério Público e Secretaria Estadual de Fazenda.

Leia mais na Folha

Yeda quer prorrogar pedágios sem licitação
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), quer prorrogar até 2028, sem licitação, as concessões para exploração de pedágios nas estradas gaúchas. A proposta, que já começou a tramitar em regime de urgência na Assembléia Legislativa, foi apresentada cinco anos antes do fim da validade dos atuais contratos. A oposição à governadora e transportadores de cargas são contra as mudanças na regra para a concessão e prometem entrar na Justiça caso a proposta seja aprovada. O governo alega que se antecipou ao fim das concessões para evitar um apagão nas rodovias do Estado.

Mais aqui

16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres



A Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres tem nova data de lançamento: 20 de novembro. O evento consistirá em um ato político no Senado Federal, na sala da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa – CDH, a partir das 10h. A mesa de abertura será coordenada pelo senador Paulo Paim (PT/RS), presidente da CDH. A Comissão realizará o ato em parceria com a bancada feminina do Congresso Nacional, conjuntamente com as promotoras da Campanha 16 Dias de Ativismo: a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres – SPM/PR e a Agende Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento – AGENDE. O lançamento contará, com a presença de representantes do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher – UNIFEM, do Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA, além da diretora-executiva da AGENDE, Marlene Libardoni, e da ministra Nilcéa Freire, da SPM/PR.
Na ocasião serão apresentados os materiais publicitários e informativos da Campanha 16 Dias de Ativismo. O slogan deste ano é: Há momentos em que sua atitude faz a diferença. Lei Maria da Penha. Comprometa-se. Os VTs publicitários foram gravados pela atriz Cissa Guimarães e pelo ator André Ramiro. A intenção é que os VTs estimulem a população a tomar atitude pelo fim da violência contra as mulheres.

Leia mais aqui

E aqui. Na campanha Homens unidos pelo fim da violência. Pela
primeira vez, uma campanha mundial e nacional relativa à violência de gênero com o foco nos homens. Ao aderirem à campanha, por meio da coleta assinaturas, os homens se comprometem publicamente a contribuir pela implementação integral da Lei Maria da Penha (11.340/06) e pela efetivação de políticas públicas que visam o fim da violência contra as mulheres.

Dia Nacional da Alfabetização

Hoje é Dia Nacional da Alfabetização.

Dica de livro:



“Como explicar que um homem, analfabeto até poucos dias, escreva palavras com fonemas complexos antes mesmo de estudá-los. É que, tendo dominado o mecanismo das combinações fonêmicas, tentou e conseguiu expressar-se graficamente como fala.

A afirmação que nos parece fundamental de ser enfatizada é a de que, na alfabetização de adultos, para que não seja puramente mecânica e memorizada, o que se há de fazer é proporcionar-lhes que se conscientizem para que se alfabetizem.

Daí à medida que um método ativo ajuda o homem a se conscientizar em torno de sua problemática, em torno de sua condição de pessoa, por isso de sujeito, se instrumentalizará para suas opções.

Aí então, ele mesmo se politizará. Quando um ex-analfabeto de Angicos, discutindo diante do presidente Goulart e sua comitiva, declarou que já não era massa, mas povo, disse mais do que uma frase: afirmou-se conscientemente uma opção. Escolheu a participação decisória, que só o povo tem, e renunciou a demissão emocional das massas. Politizou-se.”

13.11.08

12° Parada Livre de Porto Alegre

Finalmente, os grupos Igualdade, SOMOS, Nuances, Outra Visão, Ursul e Liga Brasileira de Lésbicas da Região Sul, uniram-se no combate à homofobia e ampliação das ações para a promoção da cidadania LGBT. "Com a volta de uma só data e uma só marca, damos um passo em direção ao amadurecimento do movimento", disse Célio Golin, Coordenador do Grupo Nuances em recente entrevista.

Acompanhe a programação:

13 e 14 de novembro
Exibição do documentário “Meu Tempo Não Parou”
Documentário que traz a cena gay de Poa nas décadas de 70 e 80 até a chegada da AIDS
Direção: Jair Giacomini e Sílvio Barbizan
Local: Sala Redenção - Campus Central da UFRGS às 19h

16 de novembro
12:30 - Show de Abertura: Banda Aflite
14:00 - Shows no palco
Apresentação: Glória Cristal, Laurita Leão e Dandara Rangel
15:00 - Falas dos(as) representantes de ongs e do prefeito municipal
17:00 - 12ª Parada Livre
Abertura com a 2ª Marcha Lésbica de Porto Alegre
20:00 - Concuso Madonna Sticky & Sweet
20:30 - Música eletrônica com os Djs Samuel Thomaz e Udo Werner

DIA 16 DE NOVEMBRO, SEJA O QUE VOCÊ QUISER!!!

CULTIVE SEUS DIREITOS!

Seminário Estadual Pró-Conferência Nacional de Comunicação do RS

Cinema: de pai pra filho



Glauber segurando Erik

Filho de um dos maiores expoentes do chamado Cinema Novo brasileiro, Eryk Rocha nasceu respirando cinema. O documentarista aproxima-se de seu pai pela inquietação, pela poeticidade, e linguagem que preenche seus filmes: um verdadeiro turbilhão que envolve o público. Nesta entrevista, Eryk Rocha fala sobre sua carreira, cinema latino, Glauber Rocha e seu novo filme, Pachamama (Mãe Terra).

Seu primeiro filme, RochaQueVoa, mostra gravações de seu pai no exílio em Cuba. Ele incitou a realização de um amplo projeto cultural e político para a América Latina, tendo o cinema como principal instrumento desta mudança. Comente sobre esta influência do cinema latino em seus filmes.

E.R - Eu tenho uma raiz latino-americana muito forte. Tenho sangue colombiano. Estudei cinema em Cuba, morei na Venezuela, e conheço quase todos os países da América Latina. Isso se reflete nos filmes que faço de alguma forma. RochaQueVoa é um movimento de encontro da imagem do pai e de alguma forma da imagem do cinema. E – por que não? – de uma imagem do continente latino-americano. O filme é uma declaração de amor ao pai e ao cinema latino-americano.

Em seu segundo filme, Intervalo Clandestino, você fomenta o debate político entre as pessoas. Que debate você gostaria de criar entre quem assiste o filme?

E.R - Meu segundo filme Intervalo Clandestino filma o Brasil. Há nele meu desejo de participar da história política do meu país, no momento da consolidação da redemocratização, com chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de um filme ensaio que deseja abordar a política através da perspectiva da multidão, do povo, e não da política institucional. O filme cria um debate para pensar o país nas ruas da cidade, a partir da polifonia das vozes dos anônimos é que se constrói a linguagem do filme.

Como você vê o cinema brasileiro hoje?

E.R - Se alimenta um debate estéril sobre o papel do mercado no cinema brasileiro atual. Se criou uma falsa contradição entre cinema comercial e cinema autoral. Ver um filme virou coisa da elite, os ingressos estão caríssimos e a maioria do povo não tem poder aquisitivo para ver um filme, além disso, 92% dos municípios do Brasil não tem salas de cinema. Precisamos repensar o espaço social do Cinema. Para mim, o cinema é acreditar naquilo que não foi revelado. Faço cinema para descobrir quem sou eu. O mais importante é a relação com mundo, com a vida, é daí que nasce a linguagem, a relação.

Em seu último e elogiado filme Pachamama, como foi essa busca pela "mãe terra"?

O filme que estou lançando atualmente, Pachamama, consolida o que eu chamo de trilogia da multidão, do imaginário e da terra. É um filme que transcorre na Amazônia, no Peru e na Bolívia. Hoje a América do Sul está no “olho do furacão”. Vive um momento particular de um fazer a política desde a terra, desde uma experiência ancestral. Não é uma experiência política tradicional de esquerda, comunista ou socialista, mas uma experiência que vem de uma reflexão cultural, de diferentes movimentos sociais nativos, dos povos originários da cultura Inca. Em Pachamama isto me marcou muito: entender como a terra está fertilizando a política.

Como você esta vendo a repercussão de Pachamama junto à crítica e público?

E.R- A repercussão junto a crítica e público foi excelente, agora é lançar o filme no mundo e ver como vai bater nas sensibilidades das pessoas,algo imprevisível,é o risco de fazer cinema e se lançar no abismo.

Vereadores de Porto ALegre mudam Lei em benefício de negócios privados



Foto Agência CeL3Uma Imagem

"Ao amigo leitor interessado em investir no ramo imobiliário, resumimos a nova fórmula: compre uma área verde em leilão público, devidamente desvalorizada pelas restrições ambientais. Projete um prédio residencial com possibilidade de comércio. Ofereça apartamentos e futuros financiamentos para a campanha eleitoral para os representantes da população na Câmara alterarem a lei ambiental. Assim o terreninho da área verde triplica de valor, devido a sua localização privilegiada e de quebra, permite que você construa o que bem entender no local. Ah, não esqueça de chamar isso de progresso!

Fogaça foi até a China, mas o grande negócio estava bem aqui o tempo todo. Projeto do Pontal é fachada para alterar todo o regime urbano daqui para frente.
Era o precedente que faltava."

Leia mais no CeL3Uma

12.11.08

Caricatura Erótica



Uma exposição na cidade austríaca de Krems mostra a evolução da caricatura erótica. Esta é do argentino Quino, pai da Mafalda.

Mobilização contra projeto Pontal do Estaleiro deve lotar Câmara dos Vereadores



A Câmara de Vereadores de Porto Alegre deve votar nesta quarta-feira (12) o projeto Pontal do Estaleiro, que classifica como empreendimento de impacto ambiental de segundo nível o complexo de seis prédios de 60 mil metros quadrados previsto para ser construído na antiga área do Estaleiro Só.

Contrária ao projeto, a bancada do PT na Câmara e a Executiva Municipal do partido divulgaram nota oficial, convocando militantes e simpatizantes a comparecerem à sessão que inicia às 14 horas. “O projeto pretende ampliar em 50% o índice construtivo das edificações e aumentar drasticamente a altura dos empreendimentos na beira do Guaíba. É revoltante a tentativa de alterar o Plano Diretor do município apenas para favorecer um único empreendedor com interesses privados. A Orla é e sempre será de toda a cidade. Uma área com ordenamento sustentável, com prioridades para um ambiente natural e paisagístico, com acesso universal e com qualidade de vida”, diz a nota.

Entidades ambientalistas, estudantes e movimentos de moradores também estão mobilizados contra o projeto. A Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público do Rio Grande do Sul instaurou inquérito civil para apurar possíveis impactos ambientais do projeto que é apoiado pelos seguintes vereadores:

Alceu Brasinha (PTB), Bernardino Vendruscolo (PMDB), Dr. Goulart (PTB), Elói Guimarães (PTB), Haroldo de Souza (PMDB), Maria Luiza (PTB), Maurício Dziedricki (PTB), Nilo Santos (PTB), Valdir Caetano (PR), Almerindo Filho (PTB), Elias Vidal (PPS), Ervino Besson (PDT), João Carlos Nedel (PP), Luiz Braz (PSDB), Maristela Meneghetti (DEM), José Ismael Heinen (DEM) e Nereu D´Avila (PDT).

Do RS Urgente

11.11.08

Uruguai aprova aborto

A Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva dispõe sobre a interrupção da gravidez nas primeiras 12 semanas de gestação tanto para as uruguaias como para estrangeiras residentes no país

Por 30 votos a favor e 17 contra a Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva, que autoriza o aborto, foi aprovada hoje (11/11), no Uruguai. A Câmara Alta, do Senado, deliberou que toda mulher uruguaia ou as estrangeiras residentes no país terão o direito de interromper sua gravidez nas primeiras 12 semanas de gestação. A lei anterior vigente só admitia a interrupção da gravidez em caso de estupro ou de risco de vida da mãe.

No início do mês, a Câmara dos Deputados havia aprovado por um voto de diferença – 49 a favor e 48 contra -, o Projeto de Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva. Mas retornou à Câmara de Senadores, onde tinha tido aprovação prévia, porque foi parcialmente modificada pelos deputados e os senadores deveriam ratificar essas mudanças.

Pesquisas indicam que mais de 60% dos uruguaios são a favor da descriminalização. O Parlamento uruguaio e a Associação de Planejamento Familiar estimam que são realizados 33 mil abortos clandestinos por ano no país.

Do site da Secretaria de Políticas para as Mulheres

“O Mistério do Samba” da Velha Guarda da Portela


Carolina Jabor e Monarco, um dos bambas da Portela. A foto é de Bruno Veiga.


Com direção de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, o Mistério do Samba mostra o cotidiano da comunidade da Portela, uma das escolas mais tradicionais do Carnaval e do samba carioca. Tendo a cantora Marisa Monte como condutora de grande parte das entrevistas, os diretores e a equipe visitaram as casas dos sambistas, freqüentaram as rodas de samba e registraram desfiles da escola. O filme teve início em 1998, quando Marisa começou as pesquisas para a produção do CD Tudo Azul, resgatando a obra dos compositores da Velha Guarda da Portela. Bambas do samba, como os compositores Monarco, Argemiro, Jair do Cavaquinho, Aniceto, Antônio Rufino dos Reis, Casquinha e Casemiro da Cuíca; pastoras como Surica, Doca e Eunice; e celebridades como Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho estrelam este filme simples e poético. O Mistério do Samba é uma produção da Conspiração Filmes e já está em cartaz em todo o Brasil. Carolina Jabor conversou comigo sobre o documentário.

A.L - Como surgiu a idéia de registrar este trabalho de Marisa Monte junto a Velha Guarda da Portela?
C.J - A Marisa é parceira da Conspiração Filmes desde de sempre. A idéia surgiu quando ela começou a pesquisar as músicas e vimos que os personagens do filme deveriam ser registrados, pois suas histórias eram sensacionais.

A.L - Qual a importância deste resgate musical para a cena cultural brasileira?
C.J - Sem registro, sem documentos, sem memória, não se faz a história de um país.

A.L - Depois de dez anos de produção e convivência, deu para desvendar o mistério que leva essas pessoas com vida tão sofrida a produzirem coisas tão belas?
C.J - Acredito que a arte e a beleza sejam uma necessidade maior do ser humano. Estas pessoas têm o privilégio de fazer samba. A vida delas é melhor através do samba. A vida é a inspiração maior para todas as artes e o samba possibilitou que a criação deles surgisse de seus cotidianos.

A.L - O filme tem emocionado muito a quem assiste. Isto reflete a entrega da equipe com o trabalho realizado. Como foi para você, este mergulho no universo do samba?
C.J - Uma grande experiência que me levou a conhecer pessoas muito especiais com valores raros hoje em dia como a generosidade, a dignidade, a delicadeza.

A.L - Vocês tiveram problema de falta de verba para a concluir o projeto. É difícil fazer cinema no Brasil?
C.J - Dificílimo. Este filme tem um potencial natural para concursos públicos e ainda assim não foi contemplado. Só quando a Natura entrou que conseguimos concluir o projeto.

Scliar: “A ABL pode ter um papel muito importante em nosso país”



O ocupante da cadeira número 31 da ABL, desde pequeno já demonstrava grande afinidade com a leitura. Moacyr, nome escolhido por sua mãe Sara após a leitura de Iracema, de José de Alencar, significa “filho da dor”. Como destinou seu nome, formou-se em Medicina pela UFRGS, em 1962, ano em que publicou seu primeiro livro: Histórias de Médico em Formação, contos baseados em sua experiência como estudante. Casou-se, em 1965, com Judith Vivien Olivien, com quem tem um filho, Roberto. É autor de 74 livros em vários gêneros, que foram publicados em muitos países, entre eles, o Canadá; e tem obras adaptadas para o cinema, teatro, tevê e rádio, inclusive no exterior. Colunista do jornal Zero Hora e colaborador da Folha de S. Paulo, Moacyr Scliar é hoje um dos escritores mais representativos da literatura brasileira contemporânea. Entre suas obras mais importantes estão: "A Guerra do Bom Fim" (1972); "O Exército de um Homem Só" (1973); "Mês de Cães Danados" (1977); "O Centauro no Jardim" (1980); "A Orelha de Van Gogh" (1988); "Olho Enigmático" (1988) e "A Mulher que Escreveu a Bíblia" (1999).

A.L - Como surgiu teu interesse na literatura?
M.S - É algo que vem da infância e que devo à minha mãe, professora e grande leitora, que deu-me, inclusive, o nome de um personagem do José de Alencar. Foi ela que me incentivou a ler, e depois que comecei, nunca mais parei.

A.L - Tu tens alguns temas recorrentes, como a imigração judaica, que fez parte da sua infância como morador do bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Comente um pouco sobre esta influência.
M.S - O Bom Fim de minha infância era um bairro de imigrantes judeus-russos. Gente pobre, com profissões humildes (pequenos comerciantes, artesãos, vendedores ambulantes), mas com um grande sentido de comunidade. Todas as noites eles se reuniam para bater papo e contar histórias, sobre a vida na Europa, sobre a viagem, sobre a maneira como eles viam o Brasil. Suas narrativas eram tão fantásticas que muito cedo eu estava me inspirando nelas para contar minhas próprias histórias.

A,L - Trabalhar com medicina e saúde pública foi importante na sua obra literária?
M.S - Sem dúvida. Foi, em primeiro lugar, uma experiência humana transcendente. Depois, foi minha porta de entrada para a realidade brasileira. Muitos de meus livros falam sobre medicina e saúde pública, como por exemplo, Sonhos tropicais, baseado na vida de Oswaldo Cruz.

A.L - Você escreveu mais de 70 obras, algumas foram adaptadas para mais de 20 línguas. Qual destas obras marcou a sua vida e por quê?
M.S - Foi O centauro no Jardim, uma história judaico-gaúcha narrada num clima fantasioso, e que escrevi com enorme prazer. Este livro foi muito traduzido e ganhou vários prêmios.

A.L - Você entrou para a Academia Brasileira de Letras em 2003. Como você vê o papel da ABL junto a sociedade brasileira?
M.S - A ABL pode ter um papel muito importante em nosso país, porque por ela passaram muitos e importantes escritores, a começar, claro, por Machado de Assis. Para isto, é preciso uma abertura para o público em geral, coisa que já está acontecendo.

A.L - O que você gosta de ler, e o que você não gosta?
M.S - Leio de tudo, ficção, História, política. Só não gosto de livro chato.

11.10.08

Hj, aniversário de morte do Cartola



AMO